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Avaliação da reserva ovariana

*Este exame não é realizado pelo Instituto Afeto.

A avaliação da reserva ovariana compreende um conjunto de exames necessários para identificar a quantidade de folículos que a mulher ainda tem. Os folículos são estruturas ovarianas que abrigam os óvulos e, portanto, sua função está relacionada à fertilidade feminina. 

Ao contrário dos homens, que continuam a produzir espermatozoides durante a vida adulta, o sistema reprodutor feminino não apresenta produção de novos gametas. As mulheres já nascem com uma quantidade definida de folículos, que declina com o passar dos anos. Essa redução gradual faz parte de um processo natural e que não pode ser revertido. 

A reserva ovariana representa o número de folículos disponíveis para desenvolvimento, maturação e liberação dos óvulos. Dessa forma, os exames de avaliação ajudam a nortear os protocolos de tratamento nos casos em que a paciente apresenta dificuldades de obter uma concepção natural. 

Importante acentuar que a avaliação da reserva ovariana é capaz de detectar o potencial funcional dos ovários, mas não indica necessariamente a capacidade reprodutiva dos gametas. Para isso, são empregadas outras técnicas para análise da potencial qualidade dos óvulos. 

Continue acompanhando este texto para saber como é feita a avaliação da reserva ovariana!

Exames necessários para avaliação da reserva ovariana

Os principais exames para avaliação da reserva ovariana incluem marcadores bioquímicos e diagnósticos de imagem. Há também possibilidade de aplicar testes dinâmicos ou realizar biópsia ovariana, embora esses recursos não sejam indicados como prática de rotina.

Os marcadores bioquímicos correspondem às análises hormonais de FSH (hormônio folículo estimulante), LH (hormônio luteinizante), estradiol, inibina-B e hormônio antimülleriano. Já o exame de imagem realizado é a ultrassonografia, cuja finalidade é fazer a contagem dos folículos antrais, verificar o volume ovariano total e analisar o fluxo das artérias uterinas. 

Entenda um pouco mais sobre cada tipo de exame e como eles contribuem para a avaliação da reserva ovariana!

Dosagens hormonais

Os testes de dosagem hormonal possibilitam a avaliação da função ovariana e fornecem importantes informações sobre as condições da fertilidade feminina. Entre os hormônios que têm seus níveis analisados estão o FSH, o LH e o estradiol — essas substâncias desempenham ações fundamentais no ciclo menstrual, e qualquer alteração pode prejudicar as tentativas de gravidez.

O FSH é medido no terceiro dia do ciclo menstrual e seus níveis indicam o potencial responsivo dos ovários — sendo que quanto maiores os valores de FSH basal, menores são as chances de uma gravidez espontânea. Assim como no caso do hormônio folículo-estimulante, quantidades alteradas de estradiol e do hormônio luteinizante podem significar disfunções ovarianas. 

Além dos hormônios mencionados, a avaliação da reserva ovariana também investiga os níveis de inibina-B — uma proteína cuja produção ocorre a partir das células dos folículos em desenvolvimento.

Hormônio antimülleriano

A avaliação do hormônio antimülleriano (AMH) é um teste de alta confiabilidade para ter uma estimativa quanto às condições da reserva ovariana. A concentração dessa substância tende a reduzir com o avanço da idade e apresenta difícil detecção em mulheres que já atingiram a menopausa. 

A monitoração do hormônio antimülleriano é um método eficaz para acompanhar o envelhecimento dos ovários e a consequente redução dos folículos, sendo superior à análise do FSH e inibina-B. Contudo, a análise conjunta dos hormônios envolvidos nas funções dos ovários aumenta a precisão dos resultados.

Contagem de folículos antrais

A contagem de folículos antrais (CFA) é feita por meio de ultrassonografia transvaginal realizada na fase folicular inicial. O exame consiste na soma dos folículos (dos dois ovários) que apresentam entre 2 e 10 mm. 

Com essa técnica diagnóstica, é possível estimar a quantidade aproximada de óvulos que a mulher pode produzir com a indução da ovulação. Esse indicador ajuda a desenvolver estratégias individualizadas e definir a especificidade do tratamento segundo o número possível de óvulos — ou seja, a contagem de folículos antrais permite predizer se haverá boa resposta dos ovários ou se há riscos de hiperestimulação ovariana. 

Importância da reserva ovariana na reprodução assistida

Conhecer a situação da reserva ovariana é uma medida importante nos tratamentos de reprodução assistida, visto que reservas reduzidas indicam, igualmente, chances limitadas de sucesso. Com os resultados dessa avaliação, os casais recebem prognósticos bem direcionados, o que pode aumentar as possibilidades de gravidez.

Apesar da eficácia dos exames, vale dizer que a avaliação da reserva ovariana não é um marcador de infertilidade. Dessa forma, resultados alterados não devem ser interpretados como incapacidade reprodutiva da mulher, mas podem indicar se há ou não urgência em recorrer a técnicas específicas para conseguir uma gravidez futura. 

Mesmo que a paciente não tenha intenção de engravidar de imediato, saber sobre as condições de sua reserva ovariana pode levantar alternativas preventivas, como substituir os métodos contraceptivos ou até optar pelo congelamento de óvulos. 

Portanto, ainda que a avaliação da reserva ovariana não forneça um diagnóstico absoluto de infertilidade feminina, os exames oferecem uma previsão da longevidade da capacidade fértil da mulher. Com as informações obtidas, fica mais fácil saber quais técnicas empregar no tratamento — seja para tentar uma gravidez imediata, seja para adiar a maternidade.