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Teste de fragmentação do DNA espermático

*Este exame não é realizado pelo Instituto Afeto.

Diante da suspeita de um quadro de infertilidade, o casal procura avaliação médica e passa por uma série de exames para identificar as causas do insucesso gestacional. O espermograma é o primeiro teste solicitado ao homem. Mas, mesmo com os resultados correspondentes aos parâmetros de normalidade, ainda pode existir uma condição não identificada pela análise do sêmen: a fragmentação do DNA espermático.

Esse quadro tem sido apontado como uma das possíveis causas da infertilidade masculina. No entanto, como se trata de um achado novo no campo da medicina reprodutiva, a ausência de diagnóstico de infertilidade pode sugerir a existência de ISCA (infertilidade sem causa aparente). 

A integridade do DNA dos gametas é essencial para a capacidade de reprodução — seja por concepção natural, seja por meio de técnicas de reprodução assistida. Quando ocorre a fragmentação do DNA espermático, o espermatozoide não consegue liberar todo o seu conteúdo genético para formar um embrião saudável, o que pode resultar em falhas de implantação e até abortamentos.

Acompanhe este texto para obter mais informações sobre o teste de fragmentação do DNA espermático!

As causas da fragmentação do DNA espermático

A fragmentação do DNA dos espermatozoides consiste na quebra do material genético contido nas células. Esse problema pode ocorrer por diversas razões, sendo que o estresse oxidativo é apontado como uma das causas principais.

Por sua vez, o estresse oxidativo é provocado por problemas circulatórios, falta de oxigenação nos testículos, elevação da temperatura na bolsa escrotal e aumento de radicais livres na circulação intratesticular. 

Homens diagnosticados com varicocele, por exemplo, estão no grupo de risco para a fragmentação do DNA espermático. Da mesma forma, homens que são expostos continuamente ao calor, a produtos químicos ou mesmo a choques repetitivos na região testicular — como no caso dos ciclistas — têm mais chances de desenvolver essa condição. 

O DNA espermático ainda pode passar por fragmentação em resposta a alguns hábitos nocivos, como excesso de peso, sedentarismo, consumo abusivo de álcool, uso de cigarro, medicamentos e outras drogas. Em resumo, os fatores de risco incluem:

Como o teste é realizado

O teste de fragmentação do DNA espermático identifica alterações no material genético dos gametas — quanto maior o número de células fragmentadas, mais a fertilidade é prejudicada. O exame é solicitado nas seguintes situações: 

Antes de compreender como o teste funciona, é importante ter o conhecimento básico em relação à estrutura dos espermatozoides: os gametas masculinos são compostos por cabeça, peça intermediária e cauda. A cabeça contém o acrossomo que, por sua vez, leva cromatina — substância que reúne DNA, RNA e proteína. 

Além do estresse oxidativo, a fragmentação do DNA espermático também pode decorrer de alterações na cromatina. O teste, portanto, avalia tanto a estrutura do DNA quanto a cromatina presente nos espermatozoides. 

Para a realização do teste, várias técnicas podem ser aplicadas. Conheças as principais!

Teste TUNEL

Essa técnica avalia os dados internos do DNA dos espermatozoides por meio da ação de substâncias reagentes fluorescentes. O objetivo desse método é marcar as roturas das moléculas de DNA. 

Resultados considerados positivos apontam a existência de fragmentação das células, o que é indicado pela coloração verde na cabeça dos espermatozoides. Por outro lado, resultados negativos são representados pela cor azul e indicam que não há alterações.

Teste de dispersão da cromatina espermática

No teste SCD — Sperm Chromatin Dispersion — ou teste de dispersão da cromatina espermática, os espermatozoides são imersos em uma substância gelatinosa chamada agarose. O contato com esse material expõe o DNA dos gametas e emite sinais quando há fragmentação, indicando as células com alterações na cromatina. 

Há ainda outras técnicas que podem ser utilizadas nos testes de fragmentação do DNA espermático. Apesar dos diferentes recursos envolvidos, todos os testes têm a mesma finalidade: identificar danos no material genético das células. 

Um ponto determinante para assegurar resultados confiáveis é a experiência do profissional que executa o procedimento, assim como seu conhecimento acerca dos princípios das técnicas utilizadas — ou seja, mesmo que os testes pareçam simples, é preciso ser alguém bem treinado para conseguir distinguir os espermatozoides íntegros daqueles com DNA fragmentado.

Como tratar o problema

Conforme os resultados do teste, é determinada a conduta terapêutica mais apropriada. O tratamento é baseado nos fatores que provocaram a alteração nas células, bem como na quantidade de espermatozoides íntegros identificada na análise. 

Exemplos de intervenção incluem administração de antibióticos para tratar condições infecciosas, uso de medicamentos antioxidantes e mudanças no estilo de vida para reduzir os percentuais de gametas fragmentados — dieta balanceada, abstenção de hábitos nocivos etc. O tratamento cirúrgico também pode ser necessário para corrigir a fragmentação do DNA espermático, sobretudo nos casos de varicocele. 

Importante ressaltar que todas as formas de tratamento que tenham a finalidade de melhorar a qualidade dos espermatozoides fazem parte de um processo lento. Isso ocorre porque o tempo entre a formação e a liberação dos gametas pode levar até 90 dias. Nesse sentido, é necessário aguardar alguns meses para realizar novas análises e observar melhora nos resultados. 

Vale ainda lembrar que a promoção de hábitos saudáveis é essencial em qualquer condição. Então, desde a primeira consulta e ao longo de todo o acompanhamento, os pacientes devem aderir a práticas de autocuidado, como abandonar os hábitos prejudiciais à saúde e perder peso, quando necessário.

Por fim, quando for constatado um alto índice de células com DNA fragmentado, a melhor alternativa como tratamento de reprodução é a FIV (fertilização in vitro) com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Assim, os gametas não afetados podem ser recuperados e injetados diretamente dentro do óvulo para fecundá-lo.

Se o teste de fragmentação do DNA espermático apontar uma quantidade inviável de gametas íntegros, o casal ainda pode optar por outras técnicas da reprodução assistida, como doação de sêmen ou de embriões.