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Gestação compartilhada: o que é e quem pode fazer?

Com o passar dos anos, as técnicas de reprodução assistida foram se desenvolvendo muito para atender a diferentes situações, sejam elas de infertilidade ou não. Nas últimas décadas, por exemplo, casais homoafetivos e pessoas solteiras também foram incluídas nesse processo, possibilitando a realização do sonho de terem seus filhos.

Ainda que sejam encontradas condições mais graves de infertilidade, tanto masculina quanto feminina, é possível identificar as causas do problema e encaminhar o casal ao melhor método de tratamento.

A indicação das técnicas é feita após uma avaliação do casal que deseja alcançar a gravidez, pois a individualização é importante para evitar riscos e aumentar as chances de sucesso.

Entre diversas situações em que a medicina reprodutiva auxilia essas pessoas, a fertilização in vitro (FIV) pode ser útil na maioria delas. Trata-se de um método de alta complexidade, feito em casos mais graves ou quando os demais procedimentos são falhos.

A FIV proporciona a casais homoafetivos femininos, em que há o desejo de participação das duas parceiras, a gestação compartilhada. Nessa situação, uma delas participa com a doação dos óvulos para a fecundação e a outra com a cessão do útero para o desenvolvimento da gestação.

Nesse texto, saiba mais sobre a FIV e entenda como a gestação compartilhada pode ser realizada para auxiliar casais homoafetivos na busca pela tão sonhada gravidez.

O que é FIV?

A FIV é uma técnica de alta complexidade em que a fecundação acontece em laboratório. Dessa forma, é possível manter um controle maior do processo, diminuindo os riscos e aumentando as possibilidades de sucesso no tratamento.

Ela é feita em etapas, utilizando procedimentos muito avançados e com técnicas complementares à sua disposição. Seu início se dá após uma investigação detalhada para determinar as condições de fertilidade do casal.

A primeira etapa é a estimulação ovariana, que acontece com o uso de medicamentos hormonais muito semelhantes aos produzidos naturalmente pelo corpo. Depois ocorre a indução da ovulação para que os folículos sejam puncionados, os óvulos extraídos e selecionados para a fecundação.

Nesse momento, a coleta de sêmen é feita na clínica por meio da masturbação. Os gametas são selecionados por técnicas de preparo seminal e colocados em um ambiente de cultura adequado com os óvulos, quando a fecundação é feita pelo modo clássico.

Atualmente, entretanto, o método mais utilizado é a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), em que cada um é novamente avaliado individualmente e injetado diretamente no citoplasma do óvulo.

Os embriões formados, se desenvolvem por um período até que estejam prontos para serem transferidos ao útero e implantar no endométrio, dando início à gravidez.

O que é gestação compartilhada?

A gestação compartilhada é um procedimento da FIV, feita com espermatozoides de um doador anônimo para tornar possível a fecundação. Os gametas femininos são doados por uma das parceiras, enquanto a outra recebe os embriões formados.

Trata-se de um procedimento ainda pouco conhecido pelos casais, mas muito útil e eficiente. Ele é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), garantindo toda a segurança.

A implantação do embrião na outra parceira não é obrigatória na FIV, podendo ser feita também na própria doadora dos óvulos. Ambas passam por exames detalhados para investigar suas condições de fertilidade e garantir que possuem boa saúde para os processos.

Quem pode fazer a gestação compartilhada?

Esse método só pode ser utilizado por casais homoafetivos femininos, principalmente quando as duas possuem o desejo de participar ativamente do processo de reprodução, sendo uma delas a doadora dos óvulos e a outra a receptora dos embriões.

Antes de decidir essas questões, elas passam por exames físicos e outros aspectos podem ser observados, como a idade ou a presença de doenças e alterações que possam interferir na fertilidade.

Como é feita a gestação compartilhada?

As primeiras etapas deste método são as mesmas realizadas para o tratamento de infertilidade. A parceira que realizará a doação dos gametas passa pela estimulação ovariana para a obtenção dos óvulos. A fecundação é feita com espermatozoides de doação de sêmen.

A mulher que recebe os embriões passa pelo preparo endometrial, com medicamentos hormonais, que torna o endométrio receptivo para receber os embriões.

Os embriões formados são mantidos em uma incubadora e avaliados diariamente. No momento certo de desenvolvimento são transferidos ao útero para iniciar a gravidez. Quando confirmada a gestação, a mulher é acompanhada por ultrassonografias para garantir a sua saúde e a do feto.

Esse procedimento só pode ser feito na FIV, pois é a única técnica que realiza a fecundação fora do útero. Além disso, só acontece com casais homoafetivos femininos.

Se você quer saber mais sobre a fertilização in vitro (FIV), leia outro artigo e conheça ainda mais detalhes do procedimento.