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Aborto de repetição

Bastante comum nas mulheres em idade reprodutiva, o aborto é definido como a perda da gravidez antes da 20ª semana de gestação: uma parte significativa de todas as gestações resultam em aborto e nem sempre a mulher percebe que estava grávida.

No entanto, quando ele ocorre de forma recorrente, é classificado como aborto de repetição, um dos principais problemas de infertilidade feminina.

Para ser classificado como aborto de repetição, devem ocorrer duas ou mais perdas consecutivas de gestações clinicamente comprovadas por exames, enquanto a possibilidade de repetição, por outro lado, tende a aumentar se houver perdas anteriores, diminuindo, dessa forma, as chances de sucesso.

Por isso, é importante ficar atenta aos sintomas, ainda que a gravidez não tenha sido comprovada.

Importantes aspecto do aborto de repetição são abordados neste texto: sintomas, causas, métodos diagnósticos, exames e tratamentos.

Principais sintomas de aborto de repetição

O aborto é principalmente sinalizado por sangramento anormal vermelho vivo ou em tom amarronzado, que inicia de forma abrupta e aumenta progressivamente. Outros sintomas que indicam a perda de gravidez são a expulsão de tecido com coágulo, secreção de muco branco-rosa, cólicas severas que não aliviam com medicamentos analgésicos, diminuição repentina dos sinais de gravidez e emagrecimento.

Mulheres em idade reprodutiva, principalmente quando estão tentando engravidar, devem ficar atentas aos sintomas. É importante consultar um especialista se eles persistirem por mais de dois meses consecutivos.

Causas de aborto de repetição

O aborto de repetição pode ser motivado por diferentes causas:

Alterações cromossômicas: anormalidades cromossômicas no embrião são comuns em embriões formados por gametas de pais mais velhos, pois a qualidade diminui com o avanço da idade, da mesma forma que podem ocorrer por erros durante a divisão celular.

As anormalidades numéricas são chamadas aneuploidias e, além de poderem causar aborto de repetição, podem provocar o desenvolvimento de condições como a síndrome de Down, também conhecida como trissomia do cromossomo 21.

Anormalidades uterinas: alterações uterinas, congênitas ou provocadas por doenças, como miomas uterinos, condições como a adenomiose e cirurgias, estão entre as principais causas de aborto de repetição, uma vez que podem interferir na vascularização do endométrio, resultando em falhas na implantação e abortamento.

Desequilíbrio hormonal: desequilíbrios nos níveis de hormônios envolvidos no processo reprodutivo, como o estradiol, a progesterona e os da tireoide, podem resultar em perda de gravidez.

Problemas de coagulação: mulheres com maior predisposição para a formação de coágulos, condição chamada trombofilia, também podem ter abortos de repetição: o problema pode afetar a vasculatura placentária, principalmente quando é hereditário.

Processos inflamatórios: inflamações no endométrio, geralmente provocadas por infecções sexualmente transmissíveis (IST), como clamídia e gonorreia, tendem a causar alterações na receptividade endometrial, resultando em falhas na implantação do embrião e abortamento.

Doenças autoimunes: doenças autoimunes, entre elas o Lúpus e a tireoidite de Hashimoto, se não forem tratadas adequadamente, também resultam em aborto.

Estilo de vida: tabagismo, alcoolismo e uso de drogas em excesso são também apontados como fatores de risco.

Métodos para diagnosticar aborto de repetição

Diferentes exames laboratoriais e de imagem são realizados para identificar as causas de aborto de repetição.

Exames laboratoriais

Exames de imagem

Os exames de imagem são realizados para identificar condições que podem causar alterações uterinas, levando ao aborto de repetição:

Os resultados diagnósticos orientam para o tratamento mais adequado para cada caso.

Tratamentos indicados para aborto de repetição

O aborto de repetição pode ser tratado por medicamentos, cirurgia ou pela FIV (fertilização in vitro):

Tratamento farmacológico: antibióticos específicos são prescritos quando infecções sexualmente transmissíveis (IST) são diagnosticadas. O parceiro também deve ser medicado para evitar a reinfecção.

A terapia hormonal pode ser indicada para equilibrar os níveis de hormônios reprodutivos quando há alterações, assim como para a redução de pólipos endometriais e miomas uterinos.

Já para mulheres com trombofilia, geralmente são prescritos anticoagulantes que previnem a formação de coágulos durante a gestação e aspirina em baixas doses antes e durante o período gestacional.

Tratamento cirúrgico: a cirurgia é indicada quando miomas, pólipos e aderências provocam anormalidades uterinas. Tem como objetivo removê-los e realizar correções no órgão, importantes, ao mesmo tempo, quando as anormalidades são congênitas.

FIV: a FIV é indicada nos casos em que o aborto de repetição resulta de anormalidades cromossômicas ou se não houver sucesso gestacional a partir das abordagens anteriores.

Durante o tratamento, diferentes técnicas complementares podem ser utilizadas para solucionar diferentes problemas que podem provocar o abortamento. O teste genético pré-implantacional, por exemplo, analisa as células do embrião em blastocisto, identificando distúrbios genéticos e cromossômicos: apenas os mais saudáveis são transferidos para o útero.

O teste ERA identifica o período mais receptivo para a transferência do embrião a partir da análise de genes envolvidos no ciclo endometrial. A receptividade do endométrio é um dos parâmetros que garantem o sucesso da implantação.

A FIV é a técnica de reprodução assistida com os percentuais mais altos de gravidez bem-sucedida por ciclo de realização.