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Miomas uterinos

Miomas uterinos, também conhecidos como leiomiomas, são tumores benignos formados a partir das células do miométrio, camada muscular do útero: uma única célula multiplica e cresce, num padrão diferente da célula precursora, originando um ou diversos tumores.

Ainda que as causas que estimulam o crescimento permaneçam desconhecidas, são considerados fatores de risco a herança genética, condições como a obesidade ou mesmo a diferença racial: mulheres negras, por exemplo, têm maior propensão para desenvolvê-los.

Comuns em mulheres na idade reprodutiva, os miomas são de diferentes tipos e tamanhos. Embora raramente evoluam para a malignidade, podem provocar alterações na fertilidade de acordo com o local de crescimento.

Saiba mais sobre miomas uterinos neste texto. Ele destaca os tipos e sintomas manifestados por cada um, os fatores de risco, métodos diagnósticos e tratamentos.

Quais são os tipos e sintomas de miomas uterinos?

Além de alterações na fertilidade, o local de crescimento também é um critério importante para a classificação dos miomas, da mesma que interfere nos sintomas provocados por eles.

Veja os três tipos de miomas de acordo com a localização, as alterações que eles podem causar na fertilidade e os sintomas manifestados por cada um:

Miomas submucosos

Localização: crescem no interior da cavidade uterina.

Alterações na fertilidade: tendem a interferir na implantação do embrião, levando a falhas e abortamento, ou mesmo no desenvolvimento da gravidez, provocando parto prematuro, descolamento da placenta e hemorragia pós-parto.

Sintomas: os principais sintomas são o aumento significativo do fluxo menstrual e cólicas severas.

Miomas intramurais

Localização: crescem na parede do útero em diversos tamanhos, que podem variar de uma semente de gergelim a uma laranja, por exemplo.

Alterações na fertilidade: de acordo com o tamanho, também podem interferir no processo de implantação ou causar complicações na gravidez.

Sintomas: a maioria é assintomática, mas os sintomas manifestam se eles atingirem dimensões maiores e podem ser semelhantes aos dos submucosos: sangramento abundante com cólicas severas.

Miomas subserosos

Localização: crescem na cavidade abdominal e podem atingir grandes dimensões.

Alterações na fertilidade: esse tipo de mioma não provoca nenhuma alteração na fertilidade.

Sintomas: apesar de serem assintomáticos em tamanhos menores, ao atingirem maiores dimensões causam inchaço e a compressão de órgãos vizinhos, incluindo a bexiga e o intestino, motivando a micção frequente e constipação.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de miomas uterinos?

Diferentes fatores, como genéticos, idade, obesidade e diferença racial, interferem no crescimento de miomas, isoladamente ou em associação:

O consumo de cafeína e álcool em excesso ou de carne vermelha também podem contribuir para aumento do risco.

Como os miomas uterinos são diagnosticados?

O diagnóstico de miomas inicia pelo exame físico, em que podem ser detectadas anormalidades como o aumento do tamanho do útero, sugerindo a presença deles mesmo antes de os sintomas manifestarem.

Como os miomas tendem a ser assintomáticos em aproximadamente 50% dos casos, é importante consultar regularmente um especialista para obter um diagnóstico precoce e evitar problemas de fertilidade. Estima-se que de 10% a 30% das mulheres com infertilidade têm miomas e, em muitos casos, eles são a única causa.

Quando há suspeita de miomas, diferentes exames de imagem podem ser realizados para confirmar o diagnóstico. Eles indicam critérios como localização e tamanho, orientando o tratamento mais adequado em cada caso. Se houver sangramento abundante, exames de sangue também são realizados para confirmar a possibilidade de anemia ou de distúrbios hemorrágicos.

O exame de imagem mais frequentemente realizados é a ultrassonografia, que identifica a quantidade e localização dos miomas uterinos. Outro exame possível é a histerossonografia, um tipo de ultrassonografia realizada com a utilização de soro fisiológico, que expande a cavidade uterina permitindo a visualização de miomas do endométrio, além dos submucosos.

A ressonância magnética, por outro lado, é exame importante para identificar múltiplos miomas, pois proporciona uma avaliação mais detalhada da cavidade uterina e abdominal, identificando os diferentes tipos.

Assim como a ressonância magnética, a histeroscopia examina mais detalhadamente a cavidade uterina. No entanto, por ser realizada com a utilização de um histeroscópio – tubo ótico com uma câmera acoplada –, o exame é transmitido para um monitor, com imagens em alta resolução, permitindo o acompanhamento em tempo real, diminuindo, dessa forma, a margem de erro, quando comparada a outros exames.

Já a histerossalpingografia é indicada quando há suspeita de infertilidade. É um exame de raio-X realizado com solução iodada para realçar o útero e as tubas uterinas. Miomas estão entre os fatores que podem provocar obstruções nas tubas uterinas, uma das causas mais comuns de infertilidade feminina.

Como os miomas uterinos são tratados?

O tratamento é indicado de acordo com a localização, tamanho dos miomas, severidade dos sintomas e objetivos terapêuticos, incluindo a intenção de engravidar. Para mulheres que não apresentam nenhum sintoma, por exemplo, é recomendada apenas a observação periódica.

Medicamentos hormonais são prescritos para a redução dos miomas e alívio dos sintomas. A terapia hormonal é baseada na observação de que os miomas tendem a desenvolver estimulados pelo estrogênio e progesterona, e a diminuir sob a ação de androgênios.

Para mulheres com sintomas mais severos ou se os miomas provocarem anormalidades uterinas que comprometam a fertilidade, é indicada a cirurgia. O procedimento é conhecido como miomectomia, geralmente realizado por vídeo-histeroscopia cirúrgica quando há miomas intracavitários. A utilização do histeroscópio e transmissão em tempo real facilita a distinção entre o tecido miomatoso fibroso e o miométrio, minimizando o dano às paredes uterinas.

Já nos casos em que há múltiplos miomas uterinos ou se eles forem mais externos, as técnicas utilizadas são a laparoscopia ou a laparotomia, definidas a partir de critérios como tamanho, localização ou quantidade.

Dois procedimentos não cirúrgicos também podem ser opção em alguns acasos. No entanto, ainda são técnicas experimentais em que não se estabeleceu a segurança do ponto de vista reprodutivo: a embolização da artéria uterina e ultrassonografia guiada por MRI.

Na embolização da artéria uterina, são injetadas substâncias para obstruir o fluxo sanguíneo, resultando na redução dos miomas. No entanto deve ser a última alternativa se houver a intenção de engravidar. Enquanto na ultrassonografia focada guiada por MRI, o mioma sofre uma necrose coagulante por ondas de ultrassom.

Mulheres com sintomas mais severos e que não têm intenção de engravidar podem optar pela histerectomia, cirurgia para a remoção total ou parcial do útero.