Uretrite » Instituto Afeto

Uretrite

A inflamação da uretra é conhecida como uretrite. É bastante comum e pode afetar homens e mulheres em qualquer idade, embora seja mais frequente durante o período sexualmente ativo, geralmente como consequência de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). 

A uretra é o canal que transporta a urina da bexiga para fora do corpo. As bactérias ou vírus podem infectar e progredir pela uretra, quando houver relação sexual entre pessoas infectadas, provocando o processo inflamatório.

Existem também causas não infecciosas, como lesões por traumas que podem, da mesma forma, provocar o problema, afetando, nesse caso, inclusive crianças. 

Por ser assintomática em boa parte dos casos, mesmo sendo facilmente tratada, tende a evoluir e resultar em diferentes complicações, embora alguns sintomas também possam se manifestar, indicando a necessidade de procurar um especialista. 

Este texto aborda a uretrite. Indica os sintomas que alertam para a inflamação, as causas que provocam a uretrite infecciosa e não infecciosa, as complicações, diagnóstico e tratamento mais indicados em cada caso. 

O que provoca a uretrite?

Saiba o que provoca cada tipo de uretrite: 

Uretrite bacteriana: a uretrite bacteriana geralmente é provocada por bactérias sexualmente transmissíveis, principalmente Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. No entanto, a bactéria Mycoplasma genitalium e o protozoário Trichomonas vaginalis também podem resultar no problema. A única maneira de evitar o contágio é por métodos de barreira, como os preservativos. 

Uretrite viral: os vírus herpes simples, citomegalovírus e papilomavírus humano (HPV) são os agentes causadores de uretrites virais. 

Uretrite não infecciosa: esse tipo de uretrite pode surgir como consequência de lesões e pelo uso de produtos químicos nas mulheres, incluindo espermicidas e cremes anticoncepcionais, ou por traumas. Embora menos frequentemente, danos causados por atrito durante a masturbação ou contato sexual também podem desencadear o processo inflamatório nos homens. 

A uretrite é classificada como gonocócica e não gonocócica, de acordo com a causa que provocou a infecção. Quando é transmitida pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, é gonocócica; e é considerada não gonocócica quando transmitida por outras bactérias, como Chlamydia trachomatis, Mycoplasma genitalium, Trichomonas vaginalis, ou resultar de fatores não infecciosos.

Quais são os sintomas de uretrite e quais complicações a inflamação pode provocar?

Nas mulheres, a ausência de sintomas é mais comum, enquanto nos homens ocorre principalmente quando a inflamação é provocada por Chlamydia trachomatis e pelo protozoário Trichomonas vaginalis

No entanto, alguns sintomas podem se manifestar. A vontade frequente e urgente de urinar, normalmente acompanhada de dor, é comum aos dois sexos. 

Além disso, corrimento vaginal amarelado e com odor mais forte, dor pélvica ou abdominal, dor durante as relações sexuais, coceira na vagina, dor de estômago, febre e calafrios, são sintomas que podem se manifestar nas mulheres. 

Nos homens, os mais comuns são secreção peniana aquosa e leitosa, dor durante a ejaculação, sensação de ardor ao urinar, sangue presente na urina ou no sêmen, coceira, sensibilidade ou inchaço no pênis e nódulos na região da virilha.

Se houver a manifestação de algum sintoma, isolado ou associado, um médico deve ser consultado. Quando é diagnosticada tardiamente, ainda que mais raramente, a infecção pode evoluir e provocar diferentes complicações para a saúde feminina e masculina.

Nas mulheres, por exemplo, pode resultar na doença inflamatória pélvica (DIP), que causa inflamação do útero e tubas uterinas, levando à formação de aderências que dificultam a fecundação, ou em outros processos inflamatórios, como a cistite, da mucosa da bexiga, e a cervicite, do colo uterino. A cervicite crônica é especialmente difícil de tratar.

A inflamação da mucosa da bexiga, da mesma forma pode ser consequência nos homens, assim como a inflamação dos testículos e dos epidídimos, nas quais a formação de aderências podem dificultar a fecundação ao inibirem o transporte dos espermatozoides, ou da próstata, provocando alterações no líquido seminal produzido pela glândula. 

Nos homens, pode estimular também o desenvolvimento de uma condição chamada estenose uretral, em que há estreitamento de um segmento da uretra após infecção grave e, como consequência, a redução ou interrupção do fluxo urinário.

Por outro lado, nos casos em que é provocada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e afeta mulheres grávidas, aumenta o risco de abortos espontâneos e parto prematuro, assim como o de pneumonia neonatal, recém-nascidos com baixo peso, anomalias congênitas ou natimorto.

Como a uretrite é diagnosticada?

Os principais exames solicitados para diagnosticar a uretrite são: 

Quais são os tratamentos indicados para uretrite?

O tratamento para uretrite é bastante simples e indicado a partir dos resultados diagnósticos:

Uretrite bacteriana: são prescritos antibióticos para cada tipo de bactéria quando a uretrite resulta de ISTs. O tratamento deve ser extensivo à parceira ou parceiro sexual e não evita reinfecções, portanto os preservativos devem ser utilizados sempre quando os parceiros tiverem rejeitado o tratamento proposto.

Uretrite viral: nos casos em que é provocada pelo papilomavírus humano (HPV), o tratamento é indicado apenas se houver a formação de verrugas genitais. O vírus do herpes simples é tratado por medicamentos antivirais, que possibilitam a redução e inibem a recorrência.

Uretrite não infecciosa: são prescritos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para aliviar a dor e o cloridrato de fenazopiridina para diminuir o desconforto, desejo e urgência de micção. Quando é provocada por traumas, geralmente desaparece após a suspensão do que causou a inflamação. 

Algumas ações podem contribuir para evitar a uretrite: