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Infertilidade masculina

Diferentes fatores podem provocar alterações no funcionamento do sistema reprodutor masculino e comprometer a fertilidade.

A infertilidade masculina é caracterizada pela diminuição na produção de espermatozoides ou ausência deles no sêmen ejaculado (azoospermia), por bloqueios que impedem o transporte, alterações na composição e na função espermática ou problemas na função sexual.

Por ser geralmente assintomática, é percebida após tentativas frustradas de engravidar a parceira, levando ao tratamento tardio. No entanto, tem tratamento na maioria dos casos, desde a década de 1990, quando surgiu a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

Este texto aborda diferentes aspectos da infertilidade masculina: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento.

Quais são as causas de infertilidade masculina?

A infertilidade masculina resulta de diferentes condições. As principais incluem:

Desequilíbrios hormonais: desequilíbrios nos níveis dos hormônios envolvidos no processo reprodutivo, incluindo a gametogênese, pelo qual ocorre a formação dos gametas masculinos, causam a diminuição ou interrupção na produção.

Alterações nos níveis hormonais podem resultar de problemas no eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal, que controla a produção dos hormônios. Entre essas alterações estão doenças como diabetes, caxumba e varicocele.

Processos inflamatórios: inflamações que afetam o sistema reprodutor masculino, incluindo orquite (nos testículos), epididimite (nos epidídimos) e prostatite também podem provocar desequilíbrios hormonais, alterando a produção ou qualidade dos gametas masculinos. Geralmente são causadas por bactérias, incluindo as que provocam as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como clamídia e gonorreia. Os processos inflamatórios comprometem, da mesma forma, outras características espermáticas, provocando, por exemplo, danos no DNA espermático.

Bloqueios que impedem o transporte de espermatozoides: processos inflamatórios também tendem a causar cicatrizes que bloqueiam ou dificultam o transporte até as tubas uterinas para que ocorra a fecundação. Os bloqueios podem ocorrer nos epidídimos – ductos extremamente finos que armazenam os gametas masculinos até adquirirem motilidade –, nos ductos deferentes, que os transporta para serem ejaculados e no ducto ejaculatório.

Os bloqueios podem ser provocados, da mesma forma, por doenças genéticas, lesões ou traumas na região testicular ou por tumores testiculares.

Anormalidades cromossômicas: anormalidades cromossômicas são transmitidas ou surgem como consequência do avanço da idade. As numéricas, chamadas aneuploidia, caracterizada pela ausência ou presença de mais cromossomos, é associada a falhas de implantação e abortos espontâneos. Se for transmitida, pode levar ao desenvolvimento de condições como a síndrome de Down (trissomia do 21).

As estruturais podem afetar a gametogênese, processo de formação dos gametas.

Alterações na função sexual: anormalidades anatômicas congênitas ou adquiridas, dificuldades para manter a ereção (disfunção erétil), ejaculação precoce, dificuldades para ejacular, ejaculação retrógada – sêmen vai para a bexiga em vez de ser eliminado – dificultam a fecundação e estão entre as causas mais comuns de infertilidade masculina.

Alterações no sistema imunológico: o sistema imunológico pode identificar os espermatozoides enquanto nocivos, criando anticorpos antiespermatozoides para eliminá-los.

Tratamentos para o câncer: tratamentos para o câncer, como rádio e quimioterapia, tendem a comprometer a qualidade e produção dos gametas masculinos. Os efeitos podem ser temporários ou permanentes.

Além disso, a superexposição ao calor ou toxinas, o uso de alguns medicamentos e anabolizantes, alcoolismo, tabagismo ou uso de drogas também representam risco.

Quais são os sintomas de infertilidade masculina?

Ainda que a infertilidade masculina não manifeste sintomas na maioria dos casos e seja identificada principalmente diante de tentativas frustradas de engravidar a parceira, alguns sinais característicos das condições que podem provocar o problema alertam para a necessidade de procurar um especialista. Veja os principais:

Os sintomas podem se manifestar de formas e com intensidades diferentes. É importante ficar atento, pois o diagnóstico e tratamento tardios, da mesma forma que provocam infertilidade, podem causar outras complicações para a saúde masculina.

Como a infertilidade masculina é diagnosticada?

Exames são realizados para diagnosticar a infertilidade masculina. Os mais comuns são:

Espermograma: o espermograma é o exame padrão para avaliar a fertilidade masculina, por isso geralmente é o primeiro a ser solicitado. Ele possibilita a análise de diversos critérios seminais e dos espermatozoides, como concentração, morfologia e motilidade.

Testes hormonais: os testes hormonais têm como objetivo analisar os níveis dos hormônios envolvidos no processo reprodutivo.

Exames de imagem: exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética (RM), avaliam o funcionamento do sistema reprodutor masculino e possibilitam identificação de bloqueios, indicando as possíveis causas, assim como podem detectar tumores.

Teste de fragmentação do DNA espermático: a fragmentação do DNA espermático é considerada um possível fator de infertilidade masculina. Tem como característica um alto nível de danos no DNA dos espermatozoides que o espermograma não consegue detectar. Pode levar a falhas na implantação e abortamento recorrente.

Os resultados baseiam a conduta clínica para tratamento da infertilidade.

Tratamentos de infertilidade masculina

A infertilidade masculina pode ser tratada por abordagens medicamentosas, cirúrgicas ou técnicas de reprodução assistida, principalmente pela FIV (fertilização in vitro) com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). Veja os casos em que cada uma é indicada:

Abordagem medicamentosa

Quando os problemas de fertilidade resultam de distúrbios hormonais, são administrados medicamentos para a reposição ou regulação hormonal. Na maioria dos casos, os níveis são reequilibrados e a produção dos gametas, normalizada.

Para os processos inflamatórios, são prescritos antibióticos orais ou injetáveis, em dose única, ciclos longos ou curtos, de acordo com o tipo de bactéria. Se forem provocados por bactérias sexualmente transmissíveis, a parceira também deve ser examinada e tratada.

Medicamentos específicos são indicados para melhorar a função sexual.

Abordagem cirúrgica

A abordagem cirúrgica é recomendada nos casos em que obstruções impedem o transporte dos espermatozoides, para reparar danos causados aos ductos ou se a infertilidade for provocada por varicocele, condição em que a formação de varizes no cordão espermático, estrutura que sustenta os testículos, leva ao aumento da temperatura testicular, interferindo no processo que gametogênese.

Fertilização in vitro com ICSI

Na FIV com ICSI, os espermatozoides com melhor morfologia e motilidade são selecionados por técnicas de preparo seminal. Quando eles não estão presentes no sêmen (azoospermia), podem ser extraídos dos epidídimos ou dos testículos por métodos cirúrgicos.

Antes da fecundação, cada espermatozoide é avaliado por um microscópio e injetado diretamente no óvulo com o auxílio de uma agulha extremamente fina.

Se houver suspeita de doenças genéticas e anormalidades cromossômicas, as células do embrião podem ser avaliadas pelo teste genético pré-implantacional, uma das técnicas complementares à FIV.

Nos casos em que o tratamento não pode ser realizado com gametas próprios, é possível contar, ainda, com outra técnica complementar ao procedimento: a doação de gametas e embriões.

A FIV com ICSI revolucionou o tratamento de infertilidade masculina por fatores graves e contribui para aumentar ainda mais as chances de sucesso gestacional proporcionadas pela FIV clássica.