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Infertilidade sem causa aparente (ISCA)

Quando o casal procura auxílio por não conseguir engravidar, um dos primeiros passos é fazer exames para investigar os possíveis problemas de infertilidade feminina ou masculina. Dependendo do caso, é feito o diagnóstico. Se, depois da realização de todos os exames, os resultados forem inconclusivos, o diagnóstico é de infertilidade sem causa parente (ISCA), que afeta cerca de 10 a 20% dos casais.

No entanto, ainda que a ISCA seja diagnosticada, existem possibilidades de conseguir a gravidez, principalmente com as técnicas de reprodução assistida: relação sexual programada (RSP), também conhecida como coito programado, inseminação artificial (IA) ou intrauterina (IIU) e a FIV (fertilização in vitro), a mais efetiva das três.

A ISCA geralmente é um diagnóstico que abala o casal, uma vez que a primeira impressão é que não será possível ter filhos. Com o tempo, tanto o homem como a mulher entendem que existe solução.

Entenda a infertilidade sem causa aparente neste texto. Ele explica as possíveis causas, diagnóstico e tratamentos indicados.

Conheça as possíveis causas de ISCA

As possíveis causas que podem levar ao diagnóstico de ISCA são diversas, femininas e masculinas, com base em estudos:

Possíveis causas femininas

Zona pelúcida: a zona pelúcida, película que envolve os embriões nos primeiros dias de vida, pode ser mais espessa que o normal, provocando dificuldades na implantação e, consequentemente, falhas em conseguir a gravidez. No entanto, essa é uma condição bastante rara. Geralmente, embriões que passaram por congelamento e descongelamento apresentam zona pelúcida espessada, assim como embriões formados por óvulos de mulheres com idade mais avançada.

Alterações nas tubas uterinas: alterações de menor grau nas tubas uterinas podem não ser identificadas pelos exames tradicionalmente realizados. Elas geralmente resultam de aderências mais leves em torno do órgão, causadas por processos inflamatórios.

Endometriose nos estágios iniciais: os exames tradicionais também podem falhar em detectar a endometriose nos estágios iniciais, quando a doença tende a interferir no desenvolvimento e maturação do folículo e na receptividade endometrial, resultando em falhas na implantação do embrião. A endometriose é uma doença complexa, que pode se esconder por muito tempo dos exames.

Doenças autoimunes: doenças autoimunes como o lúpus eritematoso podem afetar a fertilidade, dificultando a concepção e aumentando o risco de menopausa precoce, ou seja, falência ovariana precoce (FOP).

Possíveis causas masculinas

Diminuição da qualidade dos espermatozoides: a qualidade dos gametas masculinos também diminui naturalmente com o envelhecimento, provocando, principalmente, alterações cromossômicas nos espermatozoides, numéricas ou estruturais.

As numéricas, chamadas aneuploidias, estão associadas a abortos espontâneos no primeiro trimestre da gravidez. Se forem transmitidas, por outro lado, podem causar o desenvolvimento da síndrome de Down, comum em filhos de pais mais velhos. Já as estruturais tendem a interferir no processo de gametogênese, pelo qual os espermatozoides são formados.

Fragmentação do DNA espermático: fragmentação do DNA espermático causa alterações no núcleo dos gametas e na cromatina, substância constituinte do cromossomo, provocando falhas de implantação do embrião. O problema não pode ser detectado pelo espermograma, exame realizado para avaliação da fertilidade masculina e tem sido apontado como uma das possíveis causas de infertilidade masculina e um dos fatores que levam ao diagnóstico de ISCA, ainda que os parâmetros dos gametas masculinos sejam considerados normais.

Como a ISCA é diagnosticada?

A ISCA é diagnosticada após a avaliação de alguns critérios específicos e a exclusão de fatores mais conhecidos de infertilidade. Os principais critérios avaliados em mulheres e homens são:

Nas mulheres

Nos homens

Cerca de 10% das pessoas que sofrem com infertilidade são diagnosticadas com ISCA. Embora o diagnóstico possa frustrar o casal, assim como outros tipos de infertilidade, a gravidez pode ser obtida pelos tratamentos de reprodução assistida.

A técnica mais adequada para cada caso é definida com base em diferentes critérios, como tempo de infertilidade, níveis da reserva ovariana e necessidades do casal.

Tratamentos de reprodução assistida para ISCA

O tratamento de ISCA pode ser realizado pelas três principais técnicas de reprodução assistida: relação sexual programada (RSP), inseminação artificial (IA) e FIV (fertilização in vitro).

No entanto, por ser considerada uma infertilidade idiopática, ou seja, sem causa evidente. Em alguns casos, uma conduta expectante com mudanças no estilo de vida pode ser opção, pois a concepção, mesmo diante da dificuldade em engravidar, ainda que com menores chances, pode ocorrer.

A estratégia ideal de tratamento se baseia em características individuais dos pacientes, como idade, tempo de infertilidade e o desejo do casal. Assim, os possíveis resultados proporcionados pelas técnicas são adequados às necessidades, da mesma forma que a utilização de cada técnica pode representar uma etapa na tentativa de obter a gravidez.

Porém, para mulheres em idade mais avançada e quando a infertilidade já tem longo tempo de duração, a FIV passa a fazer mais sentido enquanto opção terapêutica.

A transferência do embrião já formado, após a fecundação dos gametas em laboratório, pode solucionar diferentes problemas comuns ao processo de reprodução.