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Reversão de vasectomia

A reversão de vasectomia é uma cirurgia realizada com a finalidade de recuperar a fertilidade de homens que passaram por esterilização (vasectomia). O procedimento é um pouco mais complexo do que a vasectomia em si, e tem algumas ressalvas nas indicações, como veremos adiante.

Para entender o que é a reversão, primeiramente é preciso saber o que é a vasectomia: trata-se de um método cirúrgico para a contracepção masculina definitiva, que consiste em excisar os ductos que fazem o transporte dos espermatozoides até o líquido seminal.

Os ductos, ou canais deferentes, saem do epidídimo — local de armazenamento dos gametas — e fazem ligação com a uretra. Essa via é percorrida pelos espermatozoides quando o homem ejacula. A vasectomia, portanto, obstrui o percurso natural das células germinativas e impede uma possível concepção. 

Homens a partir de 25 anos, ou com dois filhos vivos, podem recorrer ao procedimento de esterilização.

Na reversão de vasectomia, os canais deferentes são reconstruídos, possibilitando que os espermatozoides se unam ao líquido seminal novamente. A verificação da presença dos gametas no sêmen é feita por meio do espermograma, cerca de 60 dias após a operação. Da mesma forma, é feito o acompanhamento regular posterior, para observar a estabilização na quantidade de espermatozoides.

Conheça mais sobre a reversão de vasectomia, técnica que pode oferecer uma nova possibilidade de ter filhos biológicos.

Como o procedimento é realizado

A reversão de vasectomia é possível porque a cirurgia de esterilização não prejudica a produção de espermatozoides, apenas bloqueia sua passagem. Por meio de uma microcirurgia, com a ajuda de recursos como um microscópio e finos fios cirúrgicos, os ductos são recanalizados.

O procedimento começa com a aplicação de anestesia geral. Após a preparação do paciente, são feitas pequenas incisões no saco escrotal. Em seguida, são localizadas as pontas dos canais deferentes, que foram separadas na cirurgia de vasectomia. Os ductos anteriormente cortados são, então, suturados. Ao final, as aberturas feitas na bolsa escrotal também são fechadas por suturas.

Em decorrência da complexidade, a cirurgia leva entre 2 e 4 horas — intervalo que varia de acordo com a experiência do cirurgião e com as condições dos canais seccionados. 

Pós-operatório e possíveis complicações

O tempo de internação é curto e o paciente recebe alta em algumas horas após a operação. O tempo de recuperação é de duas a quatro semanas, aproximadamente, e as orientações para o período pós-operatório incluem: administração de anti-inflamatórios, uso de compressas de gelo para amenizar o inchaço local e utilização de suspensório escrotal para elevação dos testículos. O paciente também deve evitar relações sexuais e atividades físicas por um período de 4 semanas.

O risco de complicações é baixo. Em raras ocasiões, podem surgir hematomas, infecções ou lesões em estruturas adjacentes. Tanto a vasectomia quanto a reversão não estão associadas à disfunção erétil ou outras dificuldades sexuais posteriores ao procedimento.

Indicações da reversão de vasectomia

O procedimento é indicado a homens que passaram pela operação de vasectomia, mas que decidiram ter mais filhos. A mudança de ideia em relação à esterilização pode decorrer de diferentes situações, como nova formação familiar, perda de um filho ou realização da cirurgia contraceptiva com pouca idade.

No entanto, alguns pontos são observados no momento da indicação. Para fazer a reversão com boas chances de êxito, é importante que o homem tenha passado pela vasectomia há poucos anos (os melhores resultados se dão quando foi há menos que 5 anos). Após um período muito longo, existe o risco de fibrose no local da cirurgia — formação de tecido conjuntivo e obstruções mais profundas, em resposta ao processo de cicatrização.

A idade da companheira do paciente também é uma questão avaliada antes da indicação cirúrgica. A recomendação é que a reversão de vasectomia seja realizada somente nos casos em que a parceira tenha menos de 35 anos. A partir dessa idade, há um declínio na quantidade e na qualidade dos óvulos, comprometendo a fertilidade feminina.

Outros fatores de infertilidade do casal também são investigados antes do procedimento de reversão, uma vez que determinadas condições limitam as chances de gravidez pós-cirurgia. 

Taxas de sucesso e alternativas de tratamento

O sucesso nos resultados do procedimento depende de vários fatores, como técnica cirúrgica utilizada, tempo de vasectomia e aspectos gerais de saúde do casal. Além disso, pode levar alguns meses até que a quantidade de espermatozoides se estabilize, após a reversão da obstrução. Se todas as condições forem favoráveis, as possibilidades de gravidez são altas.

Quando a reversão da vasectomia não apresenta o resultado esperado e o casal enfrenta dificuldades para engravidar, são indicadas alternativas de tratamento de fertilidade. Isso pode ocorrer porque, mesmo que o espermograma aponte quantidade suficiente de espermatozoides, estes podem apresentar alteração na morfologia ou na motilidade.

A principal técnica recomendada é a FIV (fertilização in vitro), que consiste na fecundação do óvulo e cultivo dos embriões em laboratório. Para coletar os espermatozoides, existem procedimentos de recuperação espermática que permitem aspirar os gametas diretamente do epidídimo (PESA) ou dos testículos (TESE e Micro-TESE). 

Nesses casos, as chances de fecundação são maiores na FIV com ICSI – injeção intracitoplasmática de espermatozoides. Com essa técnica, é possível injetar o gameta masculino diretamente dentro do óvulo para que a fertilização ocorra sem barreiras. 

Em último caso, o casal pode avaliar a possibilidade de engravidar com doação de gametas ou embriões.