Hatching assistido » Instituto Afeto

Hatching assistido

Os avanços da medicina reprodutiva reuniram vários métodos e ferramentas que favorecem as chances de gravidez em diferentes casos de infertilidade. A FIV (fertilização in vitro) se destaca como o tratamento mais eficaz da reprodução assistida. Mas, para atender cada caso de modo singular e ampliar as taxas de sucesso, são necessárias algumas técnicas complementares.

Nesse contexto, um dos recursos que auxiliam nos tratamentos de FIV é o hatching assistido — que consiste em fazer rupturas artificiais na zona pelúcida do óvulo para facilitar o processo de eclosão e viabilizar a implantação do embrião.

Continue a leitura deste texto para saber como é feito o hatching assistido e em quais casos o procedimento é indicado!

Eclosão natural X hatching assistido

Para que fique mais claro como essa técnica funciona, antes é preciso compreender o que é a zona pelúcida: trata-se de uma camada de glicoproteína que circunda o ovócito para protegê-lo. Entre suas funções, essa membrana serve para:

Além disso, a película protetora também funciona como barreira para impedir a penetração de múltiplos espermatozoides no óvulo (polispermia). A zona pelúcida, portanto, tem função e estrutura fundamentais — desde a fusão do espermatozoide com o óvulo e por todo o período de desenvolvimento embrionário pré-implantacional — garantindo a integridade do concepto em formação. 

Na gestação natural, depois de aproximadamente 5 dias de desenvolvimento celular, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto, ele está pronto para eclodir — isto é, sair da membrana que o envolve e se fixar no útero. Nos casos em que a zona pelúcida é mais espessa, pode haver falhas de implantação, em razão da dificuldade de rompê-la. 

Na FIV, é possível investigar as causas dessas falhas e avaliar as condições da zona pelúcida. Conforme a necessidade, o hatching assistido é realizado para criar um pequeno orifício ou afinar a membrana que cobre o embrião, possibilitando a eclosão. 

Como parte do processo da FIV, a técnica é aplicada nas últimas etapas do tratamento, após o cultivo embrionário e antes da transferência dos embriões para o útero da paciente. 

Como é feito o procedimento

Para determinar se o hatching assistido será realizado, a paciente é avaliada antes de iniciar as etapas da FIV. Mas somente durante a fase de cultivo embrionário, com a análise dos óvulos fecundados, é que há uma confirmação da necessidade da técnica. 

A forma mais utilizada de conduzir o procedimento, no contexto atual, é com o método a laser. A técnica é moderna, menos invasiva e promove o afinamento ou o rompimento da zona pelúcida, sem riscos de afetar o embrião. Há também outros recursos que podem ser empregados no hatching assistido, como o método mecânico e o químico.

A técnica mecânica, também chamada de dissecção parcial da zona, é realizada com o auxílio de uma microagulha, usada para fazer uma pequena abertura na membrana que envolve o óvulo. O método químico, por sua vez, é considerado mais arriscado, já que as substâncias ácidas que são utilizadas podem atingir o embrião. 

Indicações do hatching assistido

O hatching assistido não é uma prática de rotina nos tratamentos de reprodução assistida, sendo reservado a situações específicas. A principal indicação da técnica é voltada para os casos com histórico de falhas de implantação embrionária. A faixa etária da mulher também é um dos principais critérios avaliados, uma vez que as tentantes com idade avançada podem apresentar zona pelúcida mais enrijecida.

Outros fatores que podem determinar a necessidade dessa estratégia são:

Além desses casos, o hatching assistido também é aplicado para auxiliar na biópsia do embrião, quando o tratamento requer o teste genético pré-implantacional. O PGT, por sua vez, é outro importante recurso que complementa a FIV, utilizado para identificar anormalidades cromossômicas e doenças genéticas. 

Para fazer a análise, uma amostra de células embrionárias é coletada após os primeiros dias de desenvolvimento e, de acordo com os resultados, somente os embriões mais saudáveis são transferidos. 

Riscos associados à técnica

Seguindo os métodos mais apropriados e de acordo com a experiência do embriologista que efetua o procedimento, o hatching assistido não oferece riscos à vitalidade ou à qualidade dos embriões. Mas há um leve aumento nas chances de gestação múltipla. 

Ainda não há consenso na literatura científica evidenciando a eficácia da técnica para determinar sua utilização como uma prática de rotina. Ensaios clínicos revisados apontaram que não foram percebidas diferenças nos índices de gestação clínica e de nascimentos vivos. 

Contudo, o aumento expressivo na taxa de fixação embrionária assegura que o hatching assistido é uma técnica que proporciona o alcance dos objetivos diante de falhas repetidas de implantação — desde que as causas sejam identificadas. Por isso, vale ressaltar que cada situação deve ser avaliada com base em suas características particulares.