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Preservação social da fertilidade

No século passado, era comum seguir um percurso de vida pré-definido, especialmente no caso das mulheres: casar logo no início da vida adulta, ou ainda na adolescência, ter filhos e se dedicar à família. Mas esse cenário passou por muitas transformações nas últimas décadas e, para acompanhar as mudanças da sociedade, a medicina reprodutiva também desenvolveu métodos específicos, como a preservação social da fertilidade.

Importante destacar que essa técnica pode atender as necessidades de ambos os sexos, mas ressaltamos o papel da mulher em razão do rápido declínio que ocorre na fertilidade feminina. Os homens têm sua capacidade reprodutiva preservada por mais tempo, enquanto as mulheres passam por redução significativa na reserva ovariana a partir dos 35 anos, assim como a qualidade de seus gametas pode decair com o avanço da idade.

Em síntese, a preservação social da fertilidade é uma técnica de reprodução assistida que consiste em congelar gametas ou embriões para que sejam utilizados em uma fase futura da vida dos pacientes. Continue a leitura para saber mais sobre esse método!

Razões para recorrer à preservação social da fertilidade

Quando a mulher decide adiar a gravidez, essa decisão merece ser respeitada. Independentemente dos motivos, é importante que ela se sinta preparada para a gestação — seja emocionalmente, seja financeiramente ou em razão de qualquer outra condição. Afinal, um filho representa uma transformação completa na vida dos pais, sobretudo da mãe, que tem uma propensão maior a renunciar projetos pessoais e profissionais em função da maternidade.

De forma resumida, as principais razões que podem levar à escolha da preservação social da fertilidade incluem:

Isolados ou em conjunto, esses fatores se apresentam como obstáculos para iniciar uma gravidez. Mas, conforme os anos passam, a saúde reprodutiva pode sofrer impactos, restando a preservação social da fertilidade como um caminho oportuno para garantir a possibilidade de ter filhos biológicos no futuro. 

Procedimentos realizados

A preservação social da fertilidade feminina envolve o congelamento de óvulos. Quando os homens recorrem a essa técnica, o sêmen é coletado, analisado e congelado. Os casais também podem optar pela criopreservação dos embriões. 

Essa técnica é realizada como parte dos processos de FIV (fertilização in vitro). Portanto, segue os mesmos procedimentos iniciais da FIV. Quando os gametas são congelados, o tratamento ainda terá as etapas de fertilização, cultivo embrionário e transferência dos conceptos para o útero. No caso da criopreservação de embriões, resta apenas o descongelamento e a transferência. 

Veja como cada procedimento é feito na preservação social da fertilidade!

Técnicas para coleta dos gametas

As mulheres passam pela estimulação ovariana — técnica que requer o uso de medicamentos hormonais para estimular o crescimento dos folículos e aumentar a produção de óvulos. Os folículos são pequenas estruturas presentes no ovário que abrigam as células germinativas e as liberam durante o período de ovulação. 

Com o auxílio de exames ultrassonográficos, a cada dois ou três dias, é possível acompanhar o desenvolvimento dos folículos até que eles alcancem o tamanho ideal para induzir a ovulação. Nesse momento, a paciente recebe doses do hormônio hCG para provocar o amadurecimento folicular e a liberação dos óvulos, o que ocorre cerca de 36 horas depois da administração do medicamento. 

Antes que os gametas saiam de suas estruturas e se dispersem pelas tubas uterinas, os folículos são coletados. A punção folicular é feita com uma agulha unida a um aparelho de ultrassonografia. O procedimento é feito em pouco tempo, sem oferecer incômodos à paciente, que permanece sob sedação.

No caso dos homens, o esperma é obtido com a masturbação. Quando o paciente não apresenta espermatozoides no líquido ejaculado — condição chamada de azoospermia — os gametas podem ser retirados por meio de técnicas de recuperação espermática, que permitem coletar as células sexuais diretamente do testículo ou do epidídimo. 

Tanto os gametas femininos quanto os masculinos são analisados e selecionados antes de seguirem para criopreservação. A partir dos resultados da análise, somente os óvulos e espermatozoides que atendam aos critérios de qualidade são congelados, e os demais descartados. 

Quando a opção é pelo congelamento de embriões, após a análise dos gametas é realizada a etapa da fertilização. Para isso, os espermatozoides são colocados em contato direto com os óvulos, facilitando a fecundação. Depois de gerados, os embriões permanecem em cultivo por 3 a 5 dias, para então serem congelados. 

Criopreservação

A técnica mais utilizada para criopreservação de gametas, embriões e outros tecidos biológicos é a vitrificação. Com esse método, os materiais são colocados em tanques de nitrogênio líquido, em temperaturas de 196° negativos, e se solidificam rapidamente. 

São utilizadas substâncias chamadas de crioprotetores, que evitam a formação de cristais de gelo no interior das células armazenadas. O congelamento de materiais biológicos é uma técnica segura, com chances quase nulas de promover algum dano na estrutura e na qualidade dos tecidos. 

Quando os pacientes decidem que é hora de tentar a gravidez, os materiais são descongelados e as outras etapas da FIV seguem normalmente.

Chances de sucesso na gravidez

O congelamento de gametas e embriões é um recurso favorável para pessoas que querem adiar a chegada de um filho. Mas vale lembrar que as chances de êxito no tratamento também estão relacionadas a outros fatores, sobretudo a idade da mulher.

É aconselhável que a paciente congele seus óvulos antes dos 35 anos, em razão da melhor qualidade oocitária. Contudo, a gestação tardia está associada a riscos obstétricos como hipertensão, diabetes gestacional e necessidade de cesariana. Sendo assim, mesmo que a preservação social da fertilidade seja uma boa indicação, é importante tomar cuidado com períodos muito extensos de adiamento da gravidez.