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ERA – Teste de Receptividade Endometrial

O teste ERA — sigla que corresponde ao termo em inglês Endometrial Receptivity Array — representa um avanço na medicina molecular, possibilitando que a receptividade do endométrio seja verificada antes da transferência embrionária. 

A tecnologia utilizada no teste ERA é a NGS (next generation sequencing ou sequenciamento de última geração). Trata-se de uma ferramenta que permite a análise de milhões de fragmentos de DNA e observa a interação entre os mais de 200 genes relacionados à receptividade uterina.

O ERA é uma das técnicas complementares da FIV (fertilização in vitro). O recurso pode ser utilizado nas últimas etapas da FIV, precedendo a transferência dos embriões. Antes disso, o tratamento segue o percurso conhecido, que inclui: estimulação ovariana; punção folicular, preparo seminal e seleção de gametas; fecundação em laboratório; cultivo embrionário.

Em síntese, o teste de receptividade endometrial pode ser realizado com os objetivos de avaliar as condições uterinas, reduzir os riscos de falhas no momento da implantação do embrião e aumentar as chances de gravidez.

Acompanhe este texto para saber mais sobre o teste ERA!  

Como é feito o teste de receptividade endometrial?

O endométrio corresponde à camada interna do útero e é responsável por acolher e nutrir o embrião durante as primeiras semanas de gravidez, enquanto a placenta está em formação. O espessamento endometrial é o que determina o momento mais adequado para a implantação embrionária. No entanto, a ação dos diferentes hormônios envolvidos no ciclo reprodutivo da mulher pode alterar a receptividade do órgão. 

O ciclo feminino começa com a descamação do endométrio, sendo que os fragmentos do tecido são expelidos com a menstruação. Cerca de duas semanas depois — em um ciclo natural de aproximadamente 28 dias — o sistema reprodutor da mulher entra na fase secretora. Nesse período, ocorre a ovulação e o aumento da liberação de progesterona, o que contribui para o espessamento do endométrio e para a receptividade uterina. 

Durante o processo de FIV, a elevação das ações hormonais pode ser provocada pela estimulação ovariana — primeira etapa do tratamento, caracterizada pela administração de altas concentrações de hormônios, para estimular o desenvolvimento dos folículos e a maturação dos óvulos. 

Apesar de ser um procedimento importantíssimo na FIV, a estimulação ovariana pode ocasionar variações na janela de implantação — período mais adequado para a transferência dos embriões. Porém, vale ressaltar que isso acontece somente com mulheres que são mais sensíveis à ação dos medicamentos.

Com o objetivo de saber se o útero apresenta a espessura ideal para garantir a fixação embrionária, é feita a biópsia do endométrio. A análise é realizada a partir da punção de uma amostra de células do tecido endometrial, com a ajuda de um fino cateter. O procedimento é simples e não requer a aplicação de anestesia. 

Os fragmentos uterinos são coletados no dia em que seria feita a transferência dos embriões — no terceiro ou no quinto dia de desenvolvimento — e enviados para análise. Os resultados são disponibilizados em pouco tempo. Enquanto isso, os conceptos são criopreservados para serem transferidos no ciclo seguinte, nos dias correspondentes à janela de implantação, conforme o período sugerido pelo teste ERA.

Quando o teste ERA é indicado?

O ERA é indicado para pacientes que passaram por falhas de implantação na FIV. O teste é uma alternativa viável sobretudo nos casos com duas ou mais tentativas de gravidez sem sucesso. No entanto, cada caso deve ser bem avaliado, uma vez que existem diversas condições que podem prejudicar a fixação embrionária e provocar abortamento precoce. 

O teste ERA é aplicado para analisar o desenvolvimento endometrial, mas há ainda outros fatores, além da receptividade uterina, que podem interferir na implantação, como anormalidades na anatomia do útero, baixa qualidade dos gametas ou embriões e alterações cromossômicas. 

Nesse contexto, outra técnica complementar da FIV é o Teste Genético Pré-Implantacional (PGT), utilizado para fazer o rastreio de alterações cromossômicas e doenças gênicas. Assim como no teste ERA, o PGT também é feito com a tecnologia NGS, possibilitando a identificação de uma série de condições que poderiam prejudicar a gravidez. 

Portanto, com a avaliação correta, os problemas que causam as falhas de implantação são identificados e a paciente é encaminhada para o tratamento mais adequado. 

Quais os possíveis resultados do ERA?

Os resultados do teste ERA apontam se o útero está receptivo ou não-receptivo no período da análise. Diante da confirmação da receptividade endometrial, a transferência é feita no ciclo subsequente da paciente, considerando a janela de implantação identificada. 

Quando os resultados indicam a falta de receptividade uterina no período analisado, temos um deslocamento da janela de implantação. Nesses casos, pode ser preciso ajustar a dosagem dos hormônios utilizados no preparo endometrial e uma nova biópsia é realizada no ciclo seguinte.  

O sucesso da implantação depende de sincronização fisiológica, o que envolve embriões saudáveis e receptividade endometrial. Por sua vez, o ERA ainda pode ser considerado um teste de presunção, visto que a transferência é feita somente em ciclos posteriores à análise, em períodos estimados de receptividade endometrial. 

Contudo, apesar de necessitar de mais estudos que comprovem sua eficácia, o teste ERA é um recurso favorável nos processos de FIV. Com essa tecnologia, é possível aumentar as chances de gravidez, especialmente nos casos de falhas repetidas de implantação (RIF).