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Cessão temporária de útero (barriga de aluguel)

Barriga de aluguel é uma técnica complementar à FIV (fertilização in vitro), em que uma mulher com a saúde clinicamente comprovada cede o útero para gerar uma criança de outra com problemas que impedem a sustentação da gestação.

É indicada, por exemplo, para mulheres que não possuem útero, quando não houve sucesso na gravidez em tratamentos de reprodução assistida e para casais homoafetivos masculinos. 

A técnica, oficialmente denominada cessão temporária do útero, não pode ser utilizada com objetivo comercial, ao contrário do que o termo popular sugere. O CFM (Conselho Federal de Medicina), responsável por orientar tratamentos de reprodução assistida no Brasil, permite que o útero seja cedido por parentes de até quarto grau dos pacientes em tratamento.

Entenda, neste texto, como a barriga de aluguel é feita no contexto da FIV, os casos em que a técnica é indicada e as regas que regulamentam o procedimento em nosso país. 

Quando a barriga de aluguel é indicada?

Na maioria dos casos, as mulheres optam pela cessão temporária do útero motivadas pelo desejo de ter filhos biológicos, quando há dificuldades para engravidar ou sustentar a gravidez. Os principais casos em que a técnica é indicada são:

Entenda como a barriga de aluguel funciona

Todas as pessoas envolvidas no procedimento são avaliadas emocionalmente e informadas sobre a regulamentação. Da mesma forma, são submetidas às diferentes etapas da FIV. Além disso, a mulher que vai ceder o útero passa por uma avaliação para constatação de boas condições para sustentar a gestação. 

O tratamento pode ser realizado com gametas próprios (óvulos e espermatozoides) ou doados, de acordo com cada caso. 

A primeira etapa, nos casos em que é realizado com óvulos próprios, é a estimulação ovariana. Procedimento que tem como objetivo estimular o organismo feminino a desenvolver um número maior de folículos, uma vez que durante o ciclo menstrual a mulher apenas libera um óvulo. A estimulação permite a obtenção de uma quantidade elevada de óvulos, dependendo da resposta da mulher ao procedimento, influenciada principalmente pela idade.

Na estimulação, são utilizados medicamentos hormonais, administrados no início do ciclo menstrual. Quando os folículos atingem o tamanho ideal, são induzidos ao amadurecimento final, que ocorre entre 36 e 40 horas, período em que os mais maduros são coletados por punção folicular. Logo após, os óvulos são preparados em laboratório para ovulação. 

Ao mesmo tempo, o sêmen é coletado por masturbação. Posteriormente, os melhores gametas masculinos são capacitados pelo preparo seminal e selecionados a partir de parâmetros como melhor movimento (motilidade) e forma (morfologia). 

Em homens azoospérmicos, condição caracterizada pela ausência de espermatozoides no sêmen, eles podem ser coletados diretamente dos epidídimos ou dos testículos por técnicas cirúrgicas.

O processo de fecundação também ocorre em laboratório. Atualmente, a técnica empregada é a FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), em que cada espermatozoide é analisado por um microscópio de alta potência e injetado diretamente em cada óvulo.

Após serem cultivados por alguns dias, os embriões são transferidos para o útero de substituição. Para aumentar as chances de implantação do embrião no útero da mulher cedente, o endométrio dela é avaliado previamente e, se for necessário, são prescritos medicamentos hormonais para melhorar a receptividade endometrial. 

Após cerca de quinze dias a gravidez pode ser confirmada. As chances de sucesso gestacional proporcionadas pela FIV com ICSI são bastante expressivas: cerca de 60% pode ser atingido a cada ciclo de tratamento. 

Regras que regulamentam a barriga de aluguel

Conheça as regras estabelecidas pelo CFM para a realização do útero de substituição: