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Fertilização in vitro com ICSI

A injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) é considerada um dos principais avanços da medicina reprodutiva. O procedimento foi realizado pela primeira vez em 1992, na Bélgica, quando surgiu como alternativa importante para a infertilidade masculina provocada por fatores mais graves, até aquele momento considerada sem solução. 

Na FIV (fertilização in vitro) com ICSI, cada espermatozoide é injetado no citoplasma do óvulo, o que torna possível contornar diferentes problemas que podem impedir ou dificultar o processo de fecundação. A ICSI se tornou o principal método de fecundação em reprodução assistida, substituindo o método clássico.

Entenda, neste texto, como é realizado o tratamento por FIV com ICSI e em quais casos ele é indicado.

Quando o tratamento por FIV com ICSI é indicado?

A FIV com ICSI é indicada para diferentes problemas de fertilidade, tanto masculina como feminina. Os principais fatores de infertilidade masculina são:

O tratamento também é indicado quando há bloqueios do trajeto em ductos como os epidídimos, deferentes ou ejaculatório, que impedem o transporte ou a saída dos espermatozoides, inibindo, consequentemente, a fecundação.

Embora seja particularmente indicada para os problemas de infertilidade masculina, a FIV com ICSI aumenta as chances de gravidez de mulheres inférteis acima de 35 anos com diminuição da reserva ovariana, pois proporciona maiores chances de fecundação e nos casos em que os óvulos foram criopreservados.

A FIV com ICSI pode ser indicada para qualquer caso de infertilidade. Mesmo mulheres que não tenham útero podem recorrer à FIV e utilizar, por exemplo, a técnica de útero de substituição. 

Atualmente, a FIV com ICSI é, inclusive, o método mais adotado nos centros de reprodução assistida no mundo todo.

Como o tratamento por FIV com ICSI é realizado? 

A FIV se tornou conhecida na década de 1970, quando nasceu o primeiro bebê concebido pela técnica. Desde o seu desenvolvimento, proporcionou o nascimento de milhões de crianças no mundo todo, a partir da superação dos diversos problemas de infertilidade que podem surgir.

O método clássico, apesar de sua eficácia, possui limitações. Como a fecundação ocorre de forma espontânea – óvulos e espermatozoides são colocados juntos em placas de cultura para que ela aconteça –, alguns fatores podem dificultar ou inibir o processo. 

Na fecundação natural, a cabeça do espermatozoide se prende à camada externa do óvulo, empurrando-a para o citoplasma, quando os gametas se fundem e dão origem ao embrião. 

No entanto, por diversos motivos, o espermatozoide pode não conseguir penetrar essa camada: ela pode ser mais espessa, pode haver anormalidades no movimento (motilidade) ou na forma (morfologia) dos gametas, entre outras condições. 

A FIV com ICSI permite contornar esses problemas, da mesma forma que aumenta as chances de gravidez quando a infertilidade é causada por outros fatores que possam comprometer a fecundação ou o desenvolvimento da gravidez.

Assim como a FIV clássica, o procedimento com a utilização da injeção intracitoplasmática é realizado em cinco etapas. Saiba o que acontece em cada uma delas:

Estimulação ovariana e indução da ovulação: nessa etapa são administrados medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento dos folículos e obter mais óvulos para a fecundação. Exames de ultrassonografia fazem o acompanhamento do desenvolvimento e indicam o momento ideal para serem administradas as medicações que vão induzir os folículos ao amadurecimento final e ovulação.

Punção folicular e coleta do sêmen: após a administração dos medicamentos indutores, a ovulação ocorre entre 36 e 40 horas, período em que os folículos maduros são coletados por punção folicular e os óvulos são selecionados em laboratório para a fecundação.

O sêmen é coletado no mesmo momento da aspiração folicular, e as amostras são submetidas ao preparo seminal, quando os espermatozoides com melhor motilidade e morfologia são escolhidos. Em homens azoospérmicos, podem ser recuperados por cirurgia do epidídimo ou testículos. 

Fecundação: a fecundação também ocorre em laboratório. Os espermatozoides são avaliados por um microscópio de alta resolução, que possibilita a análise de cada um em movimento, e injetados um a um diretamente no citoplasma do óvulo por uma agulha finíssima. 

Cultivo embrionário: os embriões formados são cultivados em laboratório por até seis dias. O embriologista acompanha o desenvolvimento para avaliar a qualidade de cada embrião.

Transferência dos embriões: os embriões formados em laboratório, depois do cultivo, são transferidos ao útero da paciente. Isso pode ser feito em dois momentos: D3 ou D5 (blastocisto). Em D3, o embrião tem 3 dias de desenvolvimento. Em D5, 5 dias. A indicação do melhor momento de transferência é individualizada. Cada casal tem uma necessidade diferente.

A FIV com ICSI aumentou ainda mais os percentuais de gravidez bem-sucedida, que já eram bastante expressivos no tratamento por FIV clássica. Embora eles possam variar de acordo com a idade, em mulheres com até 35 anos, por exemplo, registram taxas de sucesso superiores a 50% por ciclo de realização do tratamento.