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Super-ICSI

Na década de 1990, a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) foi introduzida nos tratamentos de FIV (fertilização in vitro), proporcionando maiores chances de fecundação e um aumento significativo nas taxas de gravidez. Atualmente é, inclusive, o método de fecundação utilizado pela grande maioria das clínicas de reprodução assistida.

A técnica utiliza um microscópio de alta potência e resolução para avaliar individualmente cada espermatozoide, que posteriormente é injetado no citoplasma do óvulo por um micromanipulador de gametas, um aparelho especial, também de alta precisão.

No entanto, em 2001, a partir do surgimento de novas tecnologias de microscopia, foi desenvolvido um novo método de avaliação. Ele foi incorporado à FIV com ICSI e é indicado em situações especiais. Chamado Motile Sperm Organelle Morphology Examination (MSOME) ou exame de morfologia de espermatozoides móveis, originou o tratamento IMSI (Intracytoplasmic Morphologically Selected sperm Injection), também chamado super-ICSI.

A técnica utiliza métodos de microscopia de resolução mais alta, possibilitando, assim, a detecção de defeitos morfológicos mais sutis nos espermatozoides. 

Neste texto, é abordado o tratamento por FIV com super-ICSI é realizado, os avanços proporcionados pela técnica e os casos em que ela é indicada. 

Como o tratamento com super-ICSI é realizado? 

O tratamento por super-ICSI também é realizado no contexto das cinco etapas da FIV, que inicia com a estimulação ovariana e indução da ovulação, para estimular o desenvolvimento e amadurecimento de mais folículos e obter uma quantidade maior de óvulos para serem fecundados. 

Quando os folículos estão maduros, momento indicado por exames de ultrassonografia realizados periodicamente, eles são coletados por punção folicular e posteriormente encaminhados para laboratório para extração dos óvulos. 

Ao mesmo tempo, é feita a coleta do sêmen e as amostras submetidas ao preparo seminal para capacitação dos espermatozoides e seleção dos mais saudáveis para a fecundação. Se não houver espermatozoides no sêmen, eles podem ser coletados dos epidídimos ou testículos. 

Depois de selecionados, os gametas são fecundados em laboratório. Da mesma forma que na FIV com ICSI, cada espermatozoide é novamente avaliado individualmente. Porém, a super-ICSI utiliza o microscópio de Nomarski, conhecido como microscopia de interferência diferencial, que proporciona uma ampliação de pelo menos 6.000 vezes. 

A alta magnificação permite a avaliação em tempo real, com o espermatozoide em movimento. Assim, apenas os espermatozoides melhores avaliados morfologicamente são injetados nos óvulos. 

Após o cultivo embrionário, os embriões são, então, transferidos para o útero. 

Quais os avanços proporcionados pela super-ICSI?

Um dos principais avanços proporcionados pela capacidade de ampliação do microscópio de Nomarski foi a observação de defeitos morfológicos mais sutis. A alta magnificação mostrou, por exemplo, a presença de vacúolos nucleares no interior deles, que são espaços entre o citoplasma que comprometem a integridade do DNA, ou seja, o conteúdo cromossômico (genes) dos gametas masculinos.

Quando estão presentes na cabeça dos espermatozoides, dificultam a fecundação ou o desenvolvimento embrionário, provocando falhas na implantação do embrião e abortamento recorrente.

Em quais casos o tratamento por FIV com super-ICSI é indicado? 

Embora seja uma técnica promissora, ainda não há dados consistentes que comprovem a sua eficácia para aumentar as taxas de sucesso da FIV. Por isso, ainda é pouco realizada e indicada. No entanto, em alguns casos ela pode ser utilizada.

O tratamento é particularmente indicado em alguns casos. Entre eles: